Pesquisar por trading em Santos é, na maioria das vezes, o primeiro passo de uma empresa que quer importar sem montar uma estrutura própria de comércio exterior. A lógica é compreensível: em 2025 o Porto de Santos movimentou mais de 5,9 milhões de TEU em contêineres, segundo a Autoridade Portuária, e quem compra no exterior para vender ou consumir em São Paulo naturalmente pensa em desembarcar por lá. O que costuma faltar nessa busca é a comparação honesta entre os modelos que o mercado chama de trading, porque o mesmo nome cobre operações muito diferentes, com consequências distintas para custo, controle, crédito tributário e risco.
Este artigo não vende um produto isolado. Ele organiza o que uma trading faz, como a operação costuma funcionar quando a carga entra por Santos, quais pontos tributários e logísticos pesam para quem está em São Paulo e quando outros modelos, como a conta e ordem ou a importação direta com apoio de assessoria, podem fazer mais sentido. Quem já leu a comparação geral entre trading, despachante e assessoria de importação encontrará aqui o recorte específico do porto paulista.
O que é uma trading em Santos e o que ela realmente faz
Uma trading company é uma empresa que importa com o próprio CNPJ. Ela compra a mercadoria no exterior, assume a titularidade durante a operação, nacionaliza a carga e revende no mercado interno. Quando a compra nasce a partir do pedido de um cliente identificado, fala-se em importação por encomenda. Quando a trading importa para formar estoque e vender depois, a venda é uma revenda comum de mercadoria já nacionalizada.
Para o cliente, a experiência se parece com a compra de um fornecedor nacional: chega uma nota fiscal de venda e a mercadoria já está internalizada. Essa conveniência é o principal atrativo. A contrapartida é a menor visibilidade sobre os custos reais da importação, sobre o fornecedor de origem e sobre os créditos tributários gerados na operação, porque quem apurou tudo isso foi a trading.
Um ponto importante: o nome “trading em Santos” não significa que a empresa tem um modelo especial por estar na região. Significa, em geral, que ela opera pelo porto de Santos ou tem sede na Baixada Santista ou em São Paulo. O que define o modelo é a titularidade da mercadoria, e não a cidade.
Como funciona uma operação de trading pelo Porto de Santos
O fluxo costuma seguir uma sequência semelhante, com variações conforme o contrato. Vale conhecer cada etapa para saber o que perguntar antes de fechar.
Cotação e definição do preço ao cliente
Em uma trading, o preço apresentado ao cliente costuma ser fechado, e a margem da trading está embutida nele. Essa margem remunera o capital e o risco assumidos. Para comparar propostas, o ideal é perguntar o que está incluído: frete internacional, seguro, tributos, armazenagem, transporte até o destino e eventuais sobrestadias. Duas propostas com o mesmo valor final podem cobrir escopos diferentes.
Compra, embarque e chegada ao porto
A trading negocia com o fornecedor, define o Incoterm e organiza o embarque. Na chegada a Santos, a carga passa pelo terminal de contêineres designado pelo armador. O Porto Organizado tem margem direita, no lado da cidade de Santos, e margem esquerda, no lado do Guarujá, e os terminais de contêineres mais citados são o TECON Santos, a BTP, a DP World Santos e o Ecoporto Santos. Cada um tem agendamento próprio, e o terminal influencia o acesso rodoviário e o tempo de deslocamento.
Desembaraço, pátio e retirada
Quem opera o desembaraço precisa conhecer as regras locais. A Alfândega da Receita Federal do Porto de Santos publicou a Portaria ALF/STS nº 209/2026 sobre os prazos para solicitar a transferência de cargas do pátio do operador portuário para recintos alfandegados, com prazo de 48 horas em dias úteis para retirada, segundo o texto divulgado. Uma portaria posterior (ALF/STS nº 211/2026) teria alterado procedimentos a partir de 13 de outubro de 2026. Em um modelo de trading o cliente normalmente não acompanha isso, e por isso vale perguntar à trading como ela gerencia pátio e armazenagem, e quem paga se houver custo extra.
Nota fiscal e entrega
Concluída a nacionalização, a trading emite a nota fiscal de venda ao cliente e a mercadoria segue por rodovia até o destino. Santos tem acesso rodoviário pelo sistema Anchieta-Imigrantes e pela Rio-Santos, além de acesso ferroviário operado por concessionárias como Rumo e MRS, o que dá opções de distribuição conforme o destino e o tipo de carga.
ICMS e tributação: o ponto em que a trading em Santos mais pesa na conta
Em uma importação por trading, a empresa que importa apura os tributos federais e o ICMS da importação, e depois repassa o custo ao cliente embutido no preço. Segundo as fontes consultadas, a alíquota geral do ICMS em São Paulo é de 18%, e o fato gerador é o desembaraço aduaneiro. Há produtos com tratamento específico, e recomendamos validar a alíquota da sua NCM com fonte oficial ou com especialista.
Quando a trading é paulista e vende para outros estados, entra em cena a alíquota interestadual de 4% para mercadorias importadas, prevista na Resolução do Senado nº 13/2012. Como a trading paga o ICMS na importação em alíquota maior e vende com alíquota menor, pode acumular crédito. Por isso, o Regulamento do ICMS paulista prevê, no artigo 327-J, a possibilidade de pedir à Secretaria da Fazenda um regime especial de suspensão, total ou parcial, do lançamento do imposto na importação, para o momento da saída da mercadoria. O regime depende de pedido, de situação fiscal regular e de condições como emitir NF-e, adotar a EFD e promover o desembaraço em território paulista.
Para o cliente final, o que importa é saber se a trading em Santos trabalha com algum regime especial e se isso se reflete no preço, no prazo e no fluxo de caixa. Há ainda a discussão sobre competência: pela tese do Supremo Tribunal Federal no Tema 520, o estado competente tende a ser o do destinatário legal da operação, e não necessariamente o do desembaraço. Esses pontos são técnicos e mudam o resultado final da operação. Recomendamos validar o cenário com o contador e com um especialista tributário antes de decidir.
Trading, conta e ordem e importação direta: comparação para quem importa por Santos
| Critério | Trading (encomenda ou revenda) | Conta e ordem | Importação direta com despachante |
|---|---|---|---|
| Titularidade da mercadoria | Da trading até a revenda | Do adquirente, desde a compra | Do próprio importador |
| Radar Siscomex do cliente | Exigido na encomenda, conforme a IN RFB 1.861/2018 | Exigido do adquirente | Exigido do importador |
| Relação com o fornecedor | Indireta, o cliente compra da trading | Direta, o adquirente negocia | Direta |
| Formação do custo | Preço fechado com margem embutida | Custos discriminados mais honorário | Custos próprios mais honorário pontual |
| Visibilidade de tributos e créditos | Baixa | Alta | Alta |
| Carga operacional do cliente | Baixa | Média, com apoio da importadora | Alta |
| Quando tende a fazer sentido | Compras pontuais, sem estrutura nem recorrência | Recorrência com controle e previsibilidade | Empresas com equipe e rotina de importação |
Nenhuma coluna é melhor em termos absolutos. Uma importação única, de baixo valor, para quem não tem Radar nem pretende repetir a operação, pode ser mais simples via trading. Quem pretende importar com frequência costuma ganhar com mais visibilidade de custo e de crédito. Para aprofundar a comparação entre os dois primeiros modelos, veja conta e ordem versus trading, e para o recorte catarinense do tema, o artigo sobre trading em Itajaí.
Perguntas para fazer a uma trading antes de fechar uma operação por Santos
- O preço é fechado ou discriminado? Peça a composição entre mercadoria, frete, seguro, tributos, armazenagem e transporte.
- Quem assume armazenagem e sobrestadia? Em um porto de volume alto, atrasos geram custo e é preciso saber quem paga.
- Qual Incoterm e qual terminal? Isso define responsabilidades e janela de retirada.
- Como o câmbio é tratado? Verifique a data e a regra de conversão aplicada ao preço.
- Qual o regime tributário da operação? Pergunte se há regime especial de ICMS e como ele afeta o preço.
- Que documentos acompanham a nota fiscal? Para fins contábeis, é importante entender como a operação será registrada.
- Posso migrar para outro modelo depois? Em geral, sim, desde que haja Radar Siscomex no seu CNPJ.
Erros comuns ao contratar uma trading em Santos
- Achar que trading elimina o Radar: na importação por encomenda, o encomendante também precisa de habilitação.
- Comparar apenas o preço final: escopos diferentes tornam a comparação enganosa.
- Ignorar o fluxo de caixa: prazos de pagamento, câmbio e tributos afetam a conta antes da entrega.
- Perder visibilidade do fornecedor: em uma operação recorrente, depender de intermediários reduz o poder de negociação.
- Não considerar a recorrência: modelos que funcionam para uma compra pontual podem encarecer uma rotina.
- Escolher só pelo porto: o porto é um dado logístico, e a escolha do modelo depende de titularidade, tributação e controle.
Como a Garbari se posiciona frente à trading em Santos
A Garbari Imports não é uma trading, não compra nem revende mercadoria e não faz sourcing de fornecedores. Somos uma assessoria de importação B2B, sediada em Itajaí (SC) e com atuação em portos e aeroportos de todo o país, incluindo Santos. Atuamos como importadora por conta e ordem, e o cliente, como adquirente, mantém a negociação com o fornecedor e a titularidade da mercadoria.
O Método Garbari organiza a operação em três frentes: Tratamento Administrativo, Tratamento Tributário e Tratamento Logístico. Nosso papel na conversa sobre trading é ajudar a avaliar, com transparência, qual modelo faz sentido para o seu volume e sua recorrência, inclusive quando o melhor caminho for uma trading. Para entender o serviço em detalhe, veja o conteúdo sobre importação por conta e ordem em Santos, a página de assessoria de importação em Santos e o pilar de custos de importação. Para cargas menores, o guia de contêiner compartilhado por Santos complementa a visão. Para importações da Ásia, consulte também o conteúdo sobre importação da China e o guia de despacho aduaneiro em Santos.
Perguntas frequentes sobre trading em Santos
Trading em Santos e trading em Santa Catarina são a mesma coisa?
O modelo é o mesmo, a empresa que importa e revende. O que muda é o porto e o cenário tributário estadual. Santa Catarina tem regimes de ICMS próprios, como o TTD 409, enquanto São Paulo tem sua própria lógica de alíquota e regime especial. A escolha do porto deve considerar rota, tipo de carga, tributação e destino, e recomendamos avaliar caso a caso.
Contratar uma trading me dispensa do Radar Siscomex?
Não necessariamente. Na importação por encomenda, o encomendante também precisa de Radar, conforme a Instrução Normativa RFB nº 1.861/2018. Em uma compra de revenda comum, em que a trading importa para estoque e vende nacionalizado, o cliente compra como de um fornecedor nacional. Vale confirmar o enquadramento da sua operação.
Uma trading em Santos é mais barata do que uma assessoria?
Depende de como se compara. A trading cobra por margem embutida no preço, e a assessoria cobra honorário pelo serviço. Em operações recorrentes, o aproveitamento de créditos e a transparência de custos podem pesar mais. Recomendamos simular os dois cenários para o seu volume antes de decidir.
Posso mudar de trading para conta e ordem depois?
Sim. Não há impedimento legal. É preciso ter ou obter o Radar Siscomex no seu CNPJ e contratar uma importadora para conduzir as próximas operações por conta e ordem.
Conclusão
Escolher uma trading em Santos é uma decisão sobre titularidade, controle, tributação e fluxo de caixa, e não apenas sobre o porto de entrada. Para compras pontuais e sem estrutura, o modelo pode ser prático. Para operações recorrentes, vale comparar com a conta e ordem e com a importação direta apoiada por uma assessoria. O mais seguro é simular o seu caso real, com produto, volume e frequência, e decidir com base em números e em validação técnica.
Em dúvida entre trading e conta e ordem em Santos?
A Garbari Imports compara os modelos com transparência para o seu produto, volume e recorrência, e conduz a operação por conta e ordem quando fizer sentido, com Tratamento Administrativo, Tributário e Logístico.