Trading no Rio Grande do Sul: Quando Vale a Pena

Trading no Rio Grande do Sul: entenda a importação por encomenda, compare com conta e ordem e assessoria e veja quando a trading faz sentido para a sua empresa....
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Caminhão de carga em rodovia — trading no Rio Grande do Sul e entrega de mercadoria importada

Contratar uma trading no Rio Grande do Sul parece, à primeira vista, o caminho mais simples para quem quer trazer mercadoria do exterior: a empresa compra, nacionaliza, emite nota fiscal e entrega, e o cliente gaúcho recebe o produto como se fosse de um fornecedor nacional. Mas a simplicidade tem contrapartidas em custo, controle e crédito tributário, e a escolha entre trading, conta e ordem, despachante avulso e assessoria depende do perfil da sua operação. Este guia compara os modelos com honestidade, sem tratar nenhum deles como a melhor resposta para todas as empresas.

O que é uma trading e como ela opera

Uma trading company é uma empresa que compra mercadoria no exterior com o próprio CNPJ e a revende no mercado nacional. Ela aparece como importadora na declaração, assume a titularidade da mercadoria até a revenda e remunera risco e capital por meio de uma margem embutida no preço. Quando a operação nasce de um pedido de um cliente identificado, com recursos da própria trading, falamos de importação por encomenda, modalidade tratada pela Instrução Normativa RFB nº 1.861/2018 junto com a conta e ordem de terceiros.

Para o comprador gaúcho, a experiência se parece com uma compra nacional: chega uma nota fiscal de venda, a mercadoria já está nacionalizada e não há necessidade de acompanhar o processo aduaneiro. O outro lado é a menor visibilidade sobre o custo real da importação, sobre os tributos recolhidos e sobre os créditos que ficam com a trading. Também é importante lembrar que, na encomenda, o encomendante em geral precisa de habilitação no Radar Siscomex, ponto que detalhamos em nosso comparativo trading, despachante ou assessoria de importação.

Trading no Rio Grande do Sul: o que muda para empresas gaúchas

O mercado gaúcho é diversificado: indústria metalmecânica e de máquinas na Serra e no Vale do Sinos, calçados e couro, agronegócio no norte e no oeste, comércio varejista em Porto Alegre, cadeias de insumos no entorno do Porto de Rio Grande. Essa diversidade faz com que a decisão entre trading e outras modalidades dependa muito do produto, da recorrência e da capacidade interna de cada empresa. Algumas particularidades regionais pesam na conta:

  • Onde a trading está sediada: pode ser no próprio RS, em Santa Catarina, em São Paulo ou em outro estado, e isso influencia o regime de ICMS aplicado na nacionalização e na revenda.
  • Porto de entrada: Rio Grande, Itajaí, Navegantes ou outro recinto, conforme a rota e as escalas disponíveis para a origem.
  • Transporte até o destino: a entrega até Caxias do Sul, Santa Maria ou o interior pesa no preço final, especialmente em cargas volumosas.
  • Tributação da revenda interestadual: quando a trading está em outro estado e vende ao RS, o ICMS segue regras interestaduais e pode haver diferencial de alíquota em determinadas situações.

Sobre o ICMS, a alíquota interna geral do Rio Grande do Sul é de 17%, conforme o artigo 27 do Livro I do RICMS/RS, com alíquotas específicas para determinadas mercadorias. Nas saídas interestaduais, a alíquota de 4% se aplica a produtos importados ou com conteúdo de importação superior a 40%, segundo a Resolução do Senado nº 13/2012. Esses pontos ilustram por que o preço de uma trading precisa ser lido junto com a origem fiscal da operação, e por que recomendamos validar o enquadramento com a contabilidade e com a Secretaria da Fazenda do RS.

Trading, conta e ordem, despachante e assessoria: comparativo

CritérioTrading (encomenda)Conta e ordemDespachante avulsoAssessoria
Titularidade da mercadoriaDa trading até a revendaDo adquirente desde a compraDo importadorDo cliente, do início ao fim
Negociação com o fornecedorEm geral conduzida pela tradingPelo adquirenteNão participaPelo cliente
Radar Siscomex do clienteExigido na encomendaExigidoExigidoExigido
RemuneraçãoMargem no preço de revendaHonorário pelo serviçoHonorário pontualHonorário do serviço
Visibilidade de custosMenorMaiorRestrita ao despachoMaior
EscopoCompra, importação e revendaDespacho em nome da importadoraApenas despachoPlanejamento, tributos, logística

Para aprofundar a comparação entre as duas modalidades que mais geram dúvida, leia Conta e Ordem vs Trading: qual modalidade escolher.

Quando a trading faz sentido

  • Importações esporádicas, de baixo valor, sem intenção de recorrência.
  • Empresas sem Radar e sem estrutura para obter habilitação no curto prazo, desde que a modalidade escolhida permita a operação.
  • Compradores que priorizam a conveniência de receber a mercadoria já nacionalizada, aceitando menor visibilidade de custo.
  • Situações em que a trading já mantém estoque de determinado produto, o que reduz o prazo percebido pelo cliente.

Quando outras modalidades tendem a compensar

Em operações recorrentes, manter a titularidade e a relação direta com o fornecedor costuma pesar mais no resultado do que a comodidade inicial. A empresa enxerga o custo por etapa, controla especificações e prazos e pode aproveitar créditos tributários aplicáveis ao seu regime, o que depende de análise contábil caso a caso. Nessas situações, a conta e ordem ou a assessoria tendem a oferecer melhor relação entre controle e custo, sem que isso signifique uma regra universal.

Rio Grande ou Itajaí: o porto também entra na conta

Seja qual for o modelo, a mercadoria entra por algum porto. O Porto de Rio Grande é a principal porta marítima do estado e abriga o Tecon Rio Grande, que, segundo o Jornal do Comércio, movimentou cerca de 867 mil TEUs em 2024 e tinha expectativa de ultrapassar 1 milhão de TEUs em 2025. Já Itajaí e Navegantes concentram um ecossistema consolidado de agentes, recintos e despachantes, e são alternativa usada por muitas empresas do Sul. Há ainda os portos secos de Jaguarão, Uruguaiana e Santana do Livramento, relevantes para cargas do Mercosul.

Para uma comparação aprofundada entre os portos, veja o conteúdo sobre assessoria de importação e o Porto de Rio Grande e o guia anterior sobre assessoria de importação para empresas do Rio Grande do Sul. Quem busca referência do lado catarinense pode consultar trading em Itajaí, que trata do polo de Itajaí e Navegantes.

Perguntas para fazer antes de fechar com uma trading

Independentemente do modelo escolhido, algumas perguntas objetivas ajudam a comparar propostas de forma justa e a evitar surpresas depois do embarque. Elas servem tanto para a avaliação de uma trading quanto para qualquer outro prestador.

  • Quem é o importador na declaração e em qual estado ele está sediado? Essa resposta orienta o regime de ICMS e a forma de emissão da nota fiscal.
  • O preço informado é fechado ou composto? Peça a separação entre custo da mercadoria, frete, tributos, taxas e margem, quando houver.
  • Quem assume o risco de câmbio e de variações de frete até a nacionalização? Em propostas com preço fechado, o risco costuma estar embutido na margem.
  • Como ficam prazos, avarias e exigências aduaneiras? O contrato deve prever responsabilidades e comunicação em cada etapa.
  • Há exigência de Radar Siscomex do seu CNPJ? Em modalidades como a encomenda, o encomendante precisa de habilitação compatível.
  • Que documentos fiscais serão entregues? Você precisa de clareza sobre a nota de entrada e sobre os créditos aplicáveis ao seu regime tributário.

Com essas respostas em mãos, a comparação deixa de ser apenas entre preços e passa a considerar escopo, risco e controle. Esse exercício é especialmente útil para empresas que importam com alguma frequência e precisam prever custos para formar o preço de venda no mercado gaúcho, onde a concorrência entre fornecedores nacionais e importados costuma ser intensa.

Erros comuns ao contratar uma trading no RS

  • Comparar preço sem comparar escopo: o valor da trading embute margem sobre a mercadoria; o de uma assessoria é honorário de serviço. Os dois não são diretamente comparáveis sem uma simulação completa.
  • Presumir que a trading elimina o Radar: na encomenda, o encomendante também precisa de habilitação.
  • Ignorar a origem fiscal da operação: a sede da trading e o regime de ICMS influenciam o custo final no RS.
  • Não avaliar créditos tributários: o crédito de PIS/COFINS e de ICMS, quando aplicável, pode ser relevante em operações recorrentes.
  • Depender de um único canal: sem relação direta com o fornecedor, a empresa perde poder de negociação em futuras compras.
  • Não formalizar prazos e responsabilidades: atrasos, avarias e exigências aduaneiras precisam estar previstos em contrato.

Como a Garbari apoia empresas gaúchas na decisão

A Garbari Imports não é trading e não vende mercadoria. Também não faz sourcing nem desenvolvimento de fornecedores. Atuamos como assessoria de importação desde 2008, em Itajaí-SC, conduzindo as operações do cliente em conta e ordem de terceiros, em que o cliente negocia com o fornecedor e mantém a titularidade da mercadoria. Por isso, o nosso papel nesta decisão é ajudar a comparar cenários com transparência, inclusive quando uma trading for a alternativa mais adequada para uma importação pontual.

Dentro do Método Garbari, a análise cobre três pilares: o Tratamento Administrativo (Radar, documentos, licenças), o Tratamento Tributário (classificação fiscal, simulação de tributos, ICMS) e o Tratamento Logístico (frete, porto, entrega). Se a sua análise indicar conta e ordem, conheça o serviço de importação por conta e ordem de terceiros e o guia conta e ordem no Rio Grande do Sul. Para entender a composição de custos, veja custos de importação, e, se o produto vem da China, importação da China. Cargas menores podem se beneficiar do contêiner compartilhado no Rio Grande do Sul. Nenhum resultado de custo ou prazo é garantido, pois depende de carga, origem, período e exigências dos órgãos anuentes.

Perguntas frequentes sobre trading no RS

Contratar uma trading me dispensa do Radar Siscomex?

Não necessariamente. Na importação por encomenda, o encomendante também precisa de Radar, conforme a IN RFB nº 1.861/2018. Vale confirmar o enquadramento da sua operação com um especialista antes de fechar contrato.

Trading é mais cara do que assessoria?

Depende de como se compara. A trading cobra por margem embutida na revenda; a assessoria cobra honorário pelo serviço. Em operações recorrentes, visibilidade de custos e créditos tributários costumam pesar, mas recomendamos simular os dois cenários com o seu volume.

A trading precisa ser do Rio Grande do Sul?

Não. Ela pode estar em qualquer estado, mas a localização influencia o regime de ICMS e o custo logístico. Por isso, o preço deve ser avaliado junto com a origem fiscal e a rota da carga.

Posso migrar de trading para conta e ordem depois?

Sim. Não há impedimento legal. É preciso ter ou obter habilitação no Radar e contratar uma importadora para conduzir as próximas operações em conta e ordem.

A Garbari atua como trading no RS?

Não. A Garbari é assessoria de importação, não compra nem revende mercadoria e não faz sourcing. O cliente mantém a titularidade e a relação com o fornecedor.

Conclusão

A trading é uma alternativa legítima, especialmente para importações pontuais e para quem valoriza a conveniência de receber a mercadoria nacionalizada. Para operações recorrentes de empresas gaúchas, vale comparar com conta e ordem e assessoria, considerando titularidade, visibilidade de custos, créditos tributários, ICMS e a escolha do porto. A decisão mais segura nasce de uma simulação com os números da sua carga, e não de uma regra geral.


Trading ou conta e ordem: qual cabe na sua operação no RS?

Compare os modelos com os números da sua carga. A Garbari Imports analisa titularidade, ICMS, porto e custos, com transparência, antes de você decidir como importar.

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