Tipos de Importação: Direta, Conta e Ordem e Encomenda

Entenda as 3 modalidades de importação no Brasil — direta, por conta e ordem de terceiros e por encomenda — e qual escolher para sua empresa....
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Equipe discutindo gráficos em reunião, ilustrando a escolha entre os tipos de importação: direta, conta e ordem e encomenda

Antes de negociar com um fornecedor internacional, existe uma decisão que a maioria dos empresários pula sem perceber: em qual modalidade a importação será feita. Direta, por conta e ordem de terceiros ou por encomenda não são apenas termos técnicos — elas mudam quem assume a responsabilidade fiscal, quem precisa de Radar Siscomex e como o produto chega até a empresa. Escolher a modalidade errada custa dinheiro e tempo depois que a operação já começou.

As Três Modalidades de Importação no Brasil

A legislação aduaneira brasileira reconhece duas grandes categorias: a importação direta (própria), em que a empresa importa em nome próprio e assume toda a responsabilidade pela operação, e a importação indireta, que se subdivide em duas modalidades regidas pela Instrução Normativa RFB nº 1.861/2018 (atualizada pela IN RFB nº 2.101/2022): por conta e ordem de terceiros e por encomenda.

Importação Direta (Própria)

A empresa compra a mercadoria diretamente do fornecedor estrangeiro, com recursos próprios, e é a única responsável pela operação perante a Receita Federal — do registro da Declaração de Importação ao pagamento dos tributos. É a modalidade mais simples do ponto de vista contratual, mas exige que a própria empresa tenha Radar Siscomex habilitado, estrutura para conduzir o processo (ou uma assessoria contratada para isso) e capital para financiar a compra até a revenda.

Importação por Conta e Ordem de Terceiros

Uma empresa importadora presta o serviço de promover o despacho aduaneiro em seu próprio nome, mas por conta de outra empresa (o adquirente), que efetivamente financia a operação e é a real proprietária da mercadoria desde o início. Um ponto que gera confusão recorrente — e que já corrigimos em detalhe no post sobre Conta e Ordem vs Trading: tanto a importadora quanto o adquirente precisam ter Radar Siscomex próprio habilitado. Não existe a possibilidade de o adquirente operar sem Radar só porque contratou uma importadora.

Importação por Encomenda

Aqui a lógica se inverte: a empresa importadora compra a mercadoria no exterior com recursos próprios, em seu próprio nome, para revender a um encomendante predeterminado por contrato prévio. Diferente da conta e ordem, a importadora é a real adquirente da mercadoria perante o fornecedor estrangeiro — o encomendante entra depois, na revenda. Essa é a modalidade que o mercado às vezes chama de “importação por encomenda”, termo mais popular fora do texto técnico da Receita Federal, mas que se refere exatamente a essa estrutura prevista na IN RFB 1.861/2018.

Comparativo: Qual Modalidade Escolher

CritérioDiretaConta e OrdemEncomenda
Quem compra do fornecedor estrangeiroA própria empresaA importadora, por conta do adquirenteA importadora, com recursos próprios
Quem financia a operaçãoA própria empresaO adquirenteA importadora
Radar Siscomex necessárioDa própria empresaDa importadora e do adquirenteDa importadora
Indicado paraEmpresas com estrutura própria de comércio exteriorEmpresas que querem manter controle comercial, mas terceirizar a execução técnicaEmpresas que preferem comprar já nacionalizado, sem se expor à operação internacional

Como Decidir na Prática

Três perguntas ajudam a direcionar a escolha:

  • Sua empresa já tem Radar Siscomex e quer manter controle direto da negociação com o fornecedor? A importação direta (com uma assessoria conduzindo o processo técnico) costuma ser o caminho mais direto.
  • Sua empresa quer manter o relacionamento comercial com o fornecedor, mas não quer lidar com a execução técnica da importação? Conta e ordem de terceiros permite isso, desde que sua empresa também tenha Radar próprio.
  • Sua empresa prefere simplesmente comprar o produto já nacionalizado, sem se expor à parte cambial e aduaneira da operação? A importação por encomenda transfere essa exposição para a importadora.

Para quem está decidindo entre contratar uma trading, uma assessoria de importação ou um despachante avulso — decisão que costuma andar junto com a escolha da modalidade — já detalhamos as diferenças no post Trading, Despachante ou Assessoria de Importação.

Erros Comuns na Escolha da Modalidade

  • Achar que, na conta e ordem, apenas a importadora precisa de Radar Siscomex
  • Confundir encomenda com conta e ordem — na encomenda, a importadora compra com recursos próprios; na conta e ordem, quem financia é o adquirente
  • Escolher a modalidade pelo custo aparente, sem considerar o nível de exposição cambial e documental que a empresa está disposta a assumir
  • Não formalizar o contrato prévio exigido tanto para conta e ordem quanto para encomenda, o que pode descaracterizar a operação perante a Receita Federal
  • Trocar de modalidade no meio de uma operação já em andamento, sem reavaliar toda a estrutura documental e tributária

Como o Método Garbari Ajuda Nessa Decisão

No pilar de Tratamento Administrativo do Método Garbari, ajudar o cliente a escolher a modalidade certa é uma das primeiras conversas antes de qualquer importação começar — porque a modalidade define o resto da estrutura documental, tributária e logística da operação. Para empresas que já importam mas nunca pararam para reavaliar se a modalidade escolhida no início ainda é a mais adequada ao porte atual, vale revisitar essa decisão periodicamente.

Perguntas Frequentes sobre Tipos de Importação

Qual a diferença entre conta e ordem e encomenda?
Na conta e ordem, o adquirente financia a compra e é o real proprietário desde o início; a importadora só executa o serviço em seu nome. Na encomenda, a importadora compra com recursos próprios e revende depois ao encomendante.

Preciso de Radar Siscomex em todas as modalidades?
Sim, sempre alguém na cadeia precisa de Radar. Na importação direta, é a própria empresa. Na conta e ordem, tanto a importadora quanto o adquirente precisam de Radar próprio. Na encomenda, é a importadora que precisa estar habilitada.

Qual modalidade é mais barata?
Não existe resposta única — depende do volume, da estrutura já existente na empresa e do nível de exposição cambial e documental que ela está disposta a assumir. Vale simular o custo total de cada modalidade antes de decidir.


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