Como Importar do Vietnã: Guia para Diversificar

Importar do Vietnã é alternativa real à China para PMEs brasileiras. Veja tarifas, riscos de origem, prazos logísticos e como estruturar a operação....
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Vista aérea de porto com contêineres representando a importação do Vietnã para o Brasil
Sua empresa depende demais de um único país fornecedor? Nos últimos anos, o aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos chineses, somado a instabilidades pontuais de frete e câmbio, colocou a diversificação de origem no radar de importadoras brasileiras de todos os portes. O Vietnã desponta como uma das rotas mais discutidas: hoje é a origem de smartphones, componentes eletrônicos, calçados, têxteis e móveis para dezenas de mercados globais. Mas importar do Vietnã não é apenas trocar “China” por “Vietnã” no pedido de cotação — envolve tarifas próprias, riscos de triangulação comercial e uma cadeia de fornecedores ainda menos madura que a chinesa em muitos setores. Neste guia, você entende como funciona a importação do Vietnã para o Brasil e o que avaliar antes de migrar parte do seu sourcing para lá.

O que é a importação do Vietnã e por que ela cresceu

Importar do Vietnã significa comprar mercadorias fabricadas ou beneficiadas em território vietnamita para revenda, industrialização ou uso próprio no Brasil, seguindo os mesmos ritos aduaneiros de qualquer importação: RADAR Siscomex, classificação fiscal (NCM), licenciamento quando exigido, DI/DUIMP e recolhimento dos tributos federais e estaduais. O que mudou não foi o processo — é praticamente idêntico ao de importar da China —, mas o cenário comercial que tornou o Vietnã mais competitivo em algumas categorias.

O Vietnã é hoje um dos países de crescimento mais rápido do Sudeste Asiático, com uma economia aberta ao comércio internacional. Ele concentra parte relevante da produção mundial de eletrônicos, calçados, têxteis e confecção, e vem recebendo investimento de multinacionais que buscam reduzir dependência exclusiva da China — o chamado movimento “China+1”. Para o importador brasileiro, isso se traduz em fábricas maiores, mais organizadas e com capacidade de exportação já validada por marcas globais.

Principais produtos exportados pelo Vietnã

  • Componentes eletrônicos e smartphones
  • Calçados e componentes para calçados
  • Roupas e têxteis
  • Móveis de madeira
  • Alimentos processados, café e produtos agrícolas

Como funciona a importação do Vietnã para o Brasil

Não existe, até o momento, acordo de livre comércio entre Brasil e Vietnã. Isso significa que a mercadoria vietnamita paga o Imposto de Importação normal, conforme a Tarifa Externa Comum (TEC), pelo mesmo NCM que se aplicaria a um produto chinês, europeu ou americano equivalente. Ou seja: o NCM define a alíquota, não o país de origem — exceto quando há medida de defesa comercial específica (veja o alerta sobre antidumping mais abaixo).

Passo a passo resumido

  1. Classificar o produto no NCM correto e verificar alíquota de II, IPI, PIS/COFINS e eventual antidumping específico para origem Vietnã
  2. Confirmar exigência de licenciamento não automático (Anvisa, Inmetro, Ibama, MAPA, conforme o produto)
  3. Negociar Incoterm, prazo de produção e prazo de trânsito com o fornecedor vietnamita
  4. Emitir e conferir Certificado de Origem, fatura comercial e packing list
  5. Contratar frete internacional (majoritariamente marítimo, partindo dos portos de Ho Chi Minh, Hai Phong ou Da Nang)
  6. Registrar a Declaração de Importação (DI) ou DUIMP e conduzir o desembaraço aduaneiro

Prazos e logística

O trânsito marítimo do Vietnã para portos brasileiros costuma ser um pouco mais longo do que o de Shanghai ou Ningbo, já que a maioria das rotas exige transbordo em hubs como Singapura ou Colombo antes de seguir para a América do Sul. Isso pode significar alguns dias a mais de viagem em relação a uma rota direta da China, o que deve entrar no planejamento de estoque e nos prazos de venda — especialmente para quem importa para datas sazonais.

Vietnã x China: o que muda na prática

CritérioChinaVietnã
Maturidade industrialAlta, cadeia completa em quase todos os setoresForte em eletrônicos, calçados e têxteis; menos diversificada em outros setores
Tarifa de importação (Brasil)Alíquota padrão do NCMMesma alíquota do NCM, salvo medida antidumping específica
MOQ (pedido mínimo)Geralmente mais flexível, fábricas acostumadas a exportar em pequena escalaTende a ser mais rígido em fábricas menores
Idioma e comunicação comercialAmplo uso de inglês em trading companies e plataformas B2BComunicação em inglês mais limitada fora de grandes exportadores
Prazo de trânsito marítimo ao BrasilDireto, geralmente mais rápidoFrequentemente com transbordo, alguns dias a mais
Risco de triangulação comercialBaixo (é a origem real)Exige atenção: produtos “made in Vietnam” com componente chinês relevante

O alerta que toda empresa precisa conhecer: antidumping e triangulação

Um ponto sensível da importação do Vietnã é o risco de triangulação comercial: a prática de produtos de origem chinesa serem apenas montados ou reembalados em território vietnamita para escapar de tarifas antidumping ou de sobretaxas aplicadas especificamente à China em outros mercados, como os Estados Unidos. O setor calçadista brasileiro, por meio da Abicalçados, já discutiu a possibilidade de estender medidas antidumping hoje aplicadas à China para Vietnã e Indonésia, justamente pela suspeita de triangulação em determinadas categorias de calçados.

Na prática, isso significa duas coisas para quem importa: primeiro, é preciso confirmar se existe alguma medida de defesa comercial (antidumping ou medida compensatória) vigente para o seu NCM específico, independentemente da origem declarada — essa consulta deve ser feita junto ao Diário Oficial da União, ao MDIC/SECEX ou com apoio de uma assessoria especializada antes de fechar o pedido. Segundo, vale exigir do fornecedor documentação que comprove a origem real da manufatura (não apenas da embalagem final), reduzindo o risco de autuação por falsa declaração de origem. Recomendamos validar a existência de medidas antidumping vigentes para o NCM do seu produto diretamente no MDIC antes de fechar a importação.

Erros comuns ao importar do Vietnã

  • Assumir que o preço FOB inclui automaticamente economia tributária — o NCM, não a origem, define a maior parte da carga tributária.
  • Ignorar a checagem de antidumping — algumas categorias sensíveis (calçados, alguns produtos siderúrgicos e têxteis) têm histórico de medidas de defesa comercial.
  • Subestimar o prazo logístico — o transbordo em portos-hub pode adicionar dias ao trânsito, impactando prazos de venda e reposição de estoque.
  • Não validar a origem real da fábrica — pedir vídeos, fotos e, quando possível, auditoria de fábrica antes do primeiro pedido, especialmente em categorias com histórico de triangulação.
  • Negociar sem conhecer a cultura comercial local — negociações no Vietnã costumam ser mais formais e menos flexíveis em MOQ do que o padrão chinês.

Como o Método Garbari apoia a diversificação de fornecedores

Se preferir avaliar outra origem asiática antes de decidir, veja também nosso guia sobre como importar da Índia para o Brasil. A Garbari Imports não atua como trading exclusiva de um país — nosso papel é de assessoria e gestão do processo de importação, o que significa que ajudamos sua empresa a estruturar a operação de forma correta independentemente da origem escolhida. No caso de novos países fornecedores como o Vietnã, isso envolve os três pilares do Método Garbari: tratamento administrativo (verificação de exigências de órgãos anuentes e licenciamento), tratamento tributário (classificação fiscal correta e checagem de medidas de defesa comercial vigentes para o NCM) e tratamento logístico (escolha de modal, Incoterm e prazos realistas para o trajeto Ásia–Brasil). Isso ajuda a reduzir o risco de surpresas fiscais ou de autuação por origem declarada incorretamente, sem prometer eliminar 100% dos riscos inerentes a qualquer operação internacional nova.

Perguntas frequentes sobre importar do Vietnã

Importar do Vietnã é mais barato que importar da China?

Não necessariamente. A carga tributária no Brasil depende do NCM do produto, não do país de origem (salvo antidumping específico). O que pode variar é o preço FOB de fábrica, o frete e o MOQ — fatores que precisam ser cotados caso a caso.

Existe acordo comercial entre Brasil e Vietnã que reduza tarifas?

Não há, atualmente, acordo de livre comércio entre Brasil e Vietnã. A importação segue a Tarifa Externa Comum do Mercosul, aplicada por NCM. Recomendamos validar eventuais atualizações desse cenário com fonte oficial (MDIC/SECEX) antes de fechar grandes volumes.

Quais produtos do Vietnã têm risco de antidumping no Brasil?

Categorias historicamente sensíveis incluem calçados e alguns produtos têxteis e siderúrgicos, por suspeita de triangulação de origem chinesa. A checagem deve ser feita por NCM específico junto ao MDIC antes de importar.

Posso importar do Vietnã pela mesma trading que já uso para a China?

Depende da trading. Nem toda trading especializada em China tem rede de fornecedores validados no Vietnã. Vale perguntar diretamente sobre experiência prévia no país antes de direcionar um pedido relevante para lá.


Quer avaliar se o Vietnã faz sentido para diversificar seus fornecedores com segurança fiscal e logística?
Fale com um especialista: WhatsApp (47) 9 9999-4285

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