Em 9 de julho de 2025, o governo dos Estados Unidos anunciou uma tarifa de 50% sobre exportações brasileiras. Um ano depois, os números mostram um efeito colateral direto para quem importa da China: o comércio exterior brasileiro está se reorganizando, e a China consolida ainda mais sua posição como parceiro comercial do Brasil. Para empresários que já importam ou estão avaliando importar da China, entender essa movimentação ajuda a interpretar o que vem pela frente — sem alarmismo, mas com os números certos.
O que aconteceu nos últimos 12 meses
O tarifaço original de 50%, anunciado em julho de 2025, foi derrubado pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Em resposta, o governo americano abriu uma nova frente em 1º de junho de 2026, propondo uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras. O efeito prático já apareceu nos números do primeiro semestre de 2026: as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 17,4 bilhões, uma queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025.
A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% — o nível mais baixo da série histórica da balança comercial brasileira. No mesmo período, a participação da China nas vendas do Brasil para o exterior subiu de 28,9% para 31,5%, consolidando a posição chinesa como o principal parceiro comercial do país, com folga.
Por que isso importa para quem importa da China
À primeira vista, esse movimento é sobre exportação brasileira — não sobre importação. Mas a relação comercial entre dois países funciona nos dois sentidos, e o aprofundamento da relação Brasil-China tende a se refletir em pelo menos três frentes relevantes para quem importa:
- Maior volume de comércio bilateral tende a significar mais rotas, mais frequência de navios e, em alguns cenários, mais competição entre agentes de carga — o que pode beneficiar quem já opera com previsibilidade logística.
- Possível pressão inversa em períodos de pico — se o comércio Brasil-China cresce em ambas as direções, a demanda por espaço em contêiner também cresce, o que pode pressionar tarifas de frete em janelas específicas do ano.
- Atenção redobrada a produtos isentos e sensíveis — no caso do tarifaço americano, café não torrado e certas carnes ficaram isentos da nova taxação de 25%, mostrando que medidas comerciais desse tipo tendem a ser seletivas por produto, não genéricas. O mesmo tipo de seletividade pode aparecer em eventuais respostas comerciais futuras.
O que não muda: os fundamentos de uma importação segura
Independentemente de como a disputa comercial EUA-Brasil-China evolui, os fundamentos de uma importação bem-feita continuam os mesmos: classificação fiscal correta, Radar Siscomex habilitado, análise tributária completa antes de fechar o pedido e planejamento logístico realista. Empresários que já têm esses pilares estruturados atravessam esse tipo de turbulência macroeconômica com muito mais previsibilidade do que quem decide importar de forma improvisada, sem metodologia.
É exatamente esse o raciocínio por trás do Método Garbari: Tratamento Administrativo, Tratamento Tributário e Tratamento Logístico funcionam como uma base estável, independente do cenário externo. Notícia de tarifa, câmbio ou geopolítica pode mudar o custo pontual de uma operação — mas não muda a necessidade de ter cada uma dessas frentes bem estruturada.
O que acompanhar nos próximos meses
- Desdobramento da nova proposta de tarifa de 25% dos EUA e eventuais listas de produtos isentos.
- Evolução da participação chinesa na balança comercial brasileira — um movimento estrutural, não pontual, que já vem se consolidando.
- Efeito de médio prazo sobre taxas de frete marítimo em rotas Ásia-Brasil, dado o maior volume de comércio bilateral.
Perguntas frequentes
O tarifaço dos EUA afeta diretamente quem importa da China para o Brasil?
Não diretamente — a tarifa incide sobre exportações brasileiras para os EUA. O efeito para quem importa da China é indireto, via reorganização do comércio exterior brasileiro e maior peso da relação comercial com a China.
Isso significa que importar da China ficou mais caro?
Não necessariamente por causa do tarifaço em si. O custo de importar da China segue dependendo dos fatores de sempre: câmbio, frete internacional, tributos e classificação fiscal. Vale acompanhar o cenário, mas sem confundir causa e efeito.
Vale a pena esperar o cenário se estabilizar antes de importar?
Depende da análise de viabilidade específica de cada operação. Esperar indefinidamente por “estabilidade” em comércio exterior raramente é uma estratégia vencedora — o mais recomendável é simular o custo real da operação agora, com os dados atuais, e decidir com base nisso.
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Fontes: O Tempo — “Um ano após tarifaço, participação dos EUA nas exportações do Brasil foi substituída pela China” (08/07/2026); Thomson Reuters Brasil — “Tarifas EUA-Brasil: confira os impactos do Tarifaço de Trump”; Tax Group — “Tarifaço de Trump: o que está em jogo entre Brasil e EUA”.