Se sua empresa ainda registra importações pela DI (Declaração de Importação), é hora de prestar atenção: a DUIMP 2026 chegou para substituir gradualmente esse modelo, e o cronograma de desligamento da DI já está em andamento em diversos modais de transporte. A boa notícia é que a mudança promete unificar em um único documento etapas hoje fragmentadas entre DI, LI e DSI. A má notícia é que o cronograma oficial vem sendo ajustado com frequência desde 2024 — e planejar uma operação com base em uma data que já não é mais válida pode gerar atrasos evitáveis. Neste guia, explicamos o que já se sabe sobre a DUIMP 2026, o que muda na prática para quem importa e por que confirmar os prazos diretamente no Portal Único Siscomex é indispensável antes de qualquer decisão operacional.
O que é a DUIMP (Declaração Única de Importação)
A DUIMP é a Declaração Única de Importação, o documento central do Novo Processo de Importação (NPI) conduzido pela Receita Federal e pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior) dentro do Portal Único Siscomex. Na prática, ela reúne em um único registro informações que hoje ficam espalhadas em três documentos diferentes: a DI (Declaração de Importação), a LI (Licença de Importação) e a DSI (Declaração Simplificada de Importação).
Se você já leu nosso guia sobre a Declaração de Importação (DI): o que é e como funciona, sabe que a DI é hoje o documento que formaliza o desembaraço de uma mercadoria estrangeira perante a Receita Federal. A DUIMP não é uma versão “atualizada” da DI — é um processo novo, com lógica diferente de registro, parametrização e tramitação, desenhado para substituir a DI de forma definitiva conforme cada modal de transporte for migrando.
DUIMP 2026: como está o cronograma de substituição da DI
A Secex e a Receita Federal publicam e atualizam periodicamente dois cronogramas oficiais no Portal Único Siscomex: o Cronograma de Desligamento DI (quando cada operação deixa de poder ser registrada pela DI) e o Cronograma de Ligamento Duimp (quando cada operação passa a ficar disponível na DUIMP). A migração não acontece de uma vez para todos os importadores — ela ocorre em ondas, organizadas por capítulo da NCM, por modal de transporte (marítimo, aéreo, terrestre) e pela atuação de órgãos anuentes como Anvisa, Inmetro, MAPA e Anatel.
Modal marítimo
O modal marítimo foi o primeiro a iniciar a transição, com as primeiras operações obrigatórias por DUIMP ainda em 2024. Ao longo de 2025 e 2026, novas categorias de operações marítimas — incluindo regimes especiais como Recof, Repetro e Admissão Temporária — foram progressivamente incorporadas ao novo modelo, em fases sucessivas.
Modal aéreo
O modal aéreo entrou em transição em fases ao longo de 2025, acompanhando o mesmo princípio de migração escalonada por tipo de operação e órgão anuente envolvido.
Modal terrestre e demais modalidades
O modal terrestre é, historicamente, um dos últimos a ter sua migração concluída, com etapas previstas para avançar ao longo de 2026. Assim como aconteceu com os demais modais, datas que pareciam definitivas já foram adiadas mais de uma vez por decisão conjunta da Secex e da Receita Federal — inclusive datas de operações específicas que chegaram a ser publicadas e depois reagendadas para garantir maior estabilidade operacional durante a transição.
Por que os prazos mudam com tanta frequência
O Novo Processo de Importação é um dos maiores projetos de modernização já feitos no comércio exterior brasileiro, e ele depende da adaptação simultânea de importadores, despachantes, transportadoras, recintos alfandegados e mais de dez órgãos anuentes diferentes. Sempre que a Secex e a Receita Federal identificam risco de instabilidade operacional — filas, erros sistêmicos, falta de adaptação de algum elo da cadeia — o cronograma é revisado publicamente, com prazos adiados para as datas seguintes. Isso já aconteceu diversas vezes desde 2024 e não há garantia de que não volte a acontecer.
Por isso, não apresentamos aqui datas específicas como definitivas. Antes de tomar qualquer decisão operacional, comercial ou de investimento com base em um prazo da DUIMP, confirme a situação atualizada diretamente no Cronograma de Desligamento DI e no Cronograma de Ligamento Duimp, disponíveis no site do Portal Único Siscomex (gov.br/siscomex), ou consulte um especialista em comércio exterior antes de planejar sua operação.
DI x DUIMP: principais diferenças
| Aspecto | DI (modelo atual) | DUIMP (Novo Processo de Importação) |
|---|---|---|
| Documentos envolvidos | DI, LI e DSI registrados separadamente | Documento único, que reúne dados fiscais, aduaneiros, comerciais e logísticos |
| Cadastro de produtos | Refeito a cada nova declaração | Catálogo de Produtos persistente, reaproveitado em declarações futuras |
| Análise de anuências | Tende a ocorrer em série, órgão após órgão | Processamento em paralelo entre os órgãos anuentes envolvidos |
| Ambiente de registro | Siscomex Importação (legado) | Portal Único Siscomex |
| Abrangência atual | Ainda vigente para operações não migradas | Obrigatória apenas para as operações já contempladas no cronograma oficial |
O que muda na prática para quem já importa ou vai começar a importar
Mais do que trocar o nome do documento, a DUIMP altera a lógica de trabalho de quem opera com importação. Três mudanças merecem atenção especial no planejamento da sua empresa.
Catálogo de Produtos persistente
Na DUIMP, o importador cadastra e mantém atualizado um Catálogo de Produtos no Portal Único Siscomex, com informações detalhadas de cada mercadoria e dos operadores estrangeiros envolvidos. Uma vez cadastrado, esse produto pode ser reaproveitado em declarações futuras, sem a necessidade de reinformar tudo do zero a cada novo embarque. Na prática, isso significa investir tempo na estruturação do catálogo logo no início da adaptação — quem deixar esse cadastro para a última hora tende a sentir mais atrito na primeira declaração.
Anuências em paralelo, não em série
Hoje, quando uma mercadoria depende de mais de um órgão anuente (por exemplo, Anvisa e Inmetro), a análise costuma seguir uma lógica sequencial. Na DUIMP, esse processamento passa a ocorrer em paralelo entre os órgãos envolvidos, o que tende a reduzir o tempo total de espera por anuências — embora o ganho efetivo dependa de cada operação e não deva ser tratado como garantia automática de rapidez.
Unificação de LI e DSI na DUIMP
Empresas que hoje precisam lidar com LI (Licença de Importação) e DSI (Declaração Simplificada de Importação) como etapas separadas do processo passam a ter esses dados incorporados dentro do próprio fluxo da DUIMP, conforme o cronograma de cada tipo de operação for avançando. Isso reduz a quantidade de sistemas e telas com que a equipe de comércio exterior precisa lidar — mas exige atenção redobrada durante o período de transição, em que operações antigas e novas podem coexistir dependendo do modal e do produto.
Como planejar sua importação diante de um cronograma ainda em mudança
Mesmo com os prazos sujeitos a revisão, é possível se preparar com antecedência sem depender de uma data exata. Alguns passos práticos ajudam nesse planejamento, tanto para quem já importa quanto para quem está estruturando a primeira operação:
- Identifique o modal de transporte e os capítulos de NCM das suas principais operações — são esses dois fatores que determinam quando sua empresa será impactada pela migração.
- Evite fechar contratos comerciais de longo prazo com base em uma data específica de migração — trate o cronograma como uma referência que pode mudar, não como uma garantia contratual.
- Comece a estruturar o Catálogo de Produtos antes de o seu modal migrar, para não perder tempo no primeiro registro obrigatório via DUIMP.
- Acompanhe periodicamente o Portal Único Siscomex ou mantenha contato com sua assessoria de importação, despachante ou setor de comércio exterior sobre atualizações do cronograma.
- Se sua empresa está começando a importar agora, planeje já considerando que a operação pode nascer diretamente na DUIMP, dependendo do modal e do produto escolhidos.
Erros comuns na transição para a DUIMP
- Assumir que uma data antiga ainda vale — como o cronograma já foi revisado várias vezes, usar uma data de uma matéria ou post desatualizado pode levar a decisões erradas de planejamento.
- Deixar o Catálogo de Produtos para a última hora — montar o cadastro apenas quando o modal já migrou gera atraso na primeira operação via DUIMP.
- Não alinhar o ERP e os sistemas internos — empresas que integram sistemas próprios ao Siscomex precisam validar se essas integrações já suportam o novo formato de dados da DUIMP.
- Ignorar as regras específicas de cada órgão anuente — mesmo com anuências em paralelo, cada órgão mantém exigências próprias que não desaparecem com a DUIMP.
- Achar que a DUIMP dispensa o Radar Siscomex — a mudança no processo declaratório não altera as exigências de habilitação do importador, encomendante ou adquirente perante a Receita Federal.
Como a Garbari ajuda sua empresa a se preparar para a DUIMP
A Garbari Imports é uma assessoria de importação B2B com sede em Itajaí-SC, atuando desde 2008 como parceira estratégica das empresas em suas operações de comércio exterior. Não somos trading nem fornecedora de sourcing — nosso papel é cuidar do Método Garbari, estruturado em três pilares: Tratamento Administrativo, Tratamento Tributário e Tratamento Logístico.
Na prática, isso significa acompanhar de perto as atualizações do cronograma oficial da DUIMP, ajudar o cliente a organizar o Catálogo de Produtos com antecedência, mapear quais operações da empresa já foram ou serão impactadas pela migração e adaptar os processos internos de despacho conforme cada modal avança no Novo Processo de Importação. Não prometemos blindagem contra qualquer mudança de prazo — isso está fora do controle de qualquer assessoria — mas trabalhamos para que sua empresa não seja pega de surpresa quando a data do seu modal for confirmada.
Para quem já opera com Radar Siscomex habilitado, vale revisar também nosso guia sobre Radar Siscomex: modalidades Limitada, Ilimitada ou Expressa e o conteúdo sobre Despacho Aduaneiro: o que é e como funciona, já que a DUIMP impacta diretamente essas etapas do processo.
Perguntas frequentes sobre a DUIMP 2026
A DUIMP já é obrigatória para todas as importações em 2026?
Não. A obrigatoriedade da DUIMP segue o cronograma oficial de migração, que avança por modal de transporte, capítulo da NCM e órgão anuente envolvido. Nem todas as operações estão migradas ao mesmo tempo — por isso é essencial verificar a situação específica da sua operação no Portal Único Siscomex antes de planejar.
A DUIMP substitui a exigência de Radar Siscomex?
Não. A DUIMP muda o processo declaratório da importação, mas não altera as regras de habilitação no Siscomex. Nenhuma modalidade de importação — direta, por conta e ordem de terceiros ou por encomenda — dispensa a exigência de Radar Siscomex do importador, adquirente ou encomendante, conforme a IN RFB nº 1861/2018. Essa exigência permanece válida independentemente de a operação ser registrada por DI ou por DUIMP.
O que acontece com um processo que já está em andamento na DI quando o modal migrar?
As regras de transição para operações em andamento são tratadas nos próprios comunicados e cronogramas publicados pela Secex e pela Receita Federal. Recomendamos validar esse ponto específico com um especialista ou diretamente no Portal Único Siscomex antes de tomar decisões sobre um processo já iniciado.
Preciso mudar meu ERP ou sistema interno para operar com a DUIMP?
Empresas que integram sistemas próprios (ERP, ferramentas de gestão de comércio exterior) diretamente ao Siscomex normalmente precisam validar com seus fornecedores de tecnologia se essas integrações já suportam o formato de dados da DUIMP. Quem opera por meio de despachante ou assessoria terceirizada tende a sentir menos esse impacto técnico direto.
Onde posso confirmar o cronograma oficial e atualizado da DUIMP?
As fontes oficiais são o Cronograma de Desligamento DI e o Cronograma de Ligamento Duimp, publicados e atualizados pela Secex e pela Receita Federal no Portal Único Siscomex (gov.br/siscomex). Como esses cronogramas são revisados com frequência, evite basear decisões operacionais em datas publicadas em conteúdos de terceiros sem confirmar a versão mais recente diretamente na fonte oficial.
A DI vai deixar de existir completamente?
Esse é o objetivo final do Novo Processo de Importação: substituir integralmente a DI pela DUIMP, à medida que todos os modais e tipos de operação forem migrados conforme o cronograma oficial. Até que essa migração seja concluída para 100% das operações, porém, DI e DUIMP coexistem — cada uma válida apenas para as operações que já estão ou ainda não estão contempladas pelo cronograma vigente.
A transição da DI para a DUIMP é uma mudança estrutural no comércio exterior brasileiro, e cada modal e tipo de operação tem seu próprio ritmo de migração. Se sua empresa importa hoje ou está planejando começar a importar em 2026, o momento certo para se preparar é antes de o seu modal ser incluído no cronograma — não depois. A Garbari acompanha essas atualizações de perto e pode ajudar sua empresa a entender exatamente onde sua operação se encaixa nesse processo.
Despacho aduaneiro travando sua importação?
A Garbari Imports conduz o despacho aduaneiro com acompanhamento ativo em cada canal de parametrização, reduzindo o risco de atraso e armazenagem extra. Fale com quem cuida da sua operação do início ao fim.
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