Quem fechou a estimativa de importação há três meses e está fechando o pedido agora pode levar um susto: o frete marítimo da China para o Brasil disparou em 2026, e a variação recente não é sutil. Entender o tamanho dessa alta — e principalmente como ela se propaga para o Landed Cost total da operação — é essencial antes de comprometer qualquer estimativa de custo com o cliente ou fornecedor.
O tamanho da alta: os números de 2026
Em junho de 2026, o frete marítimo da China para o Brasil custava entre US$ 6.120 e US$ 7.480 para um contêiner de 20 pés (20GP) — uma alta de 97% em relação a maio do mesmo ano. Para o contêiner de 40 pés (40HQ), a faixa ficou entre US$ 6.255 e US$ 7.645, alta de 85% frente ao mês anterior. Ao longo de 2026, a faixa de preços para frete FCL variou entre US$ 2.150 e US$ 4.800 para 20 pés, e entre US$ 3.600 e US$ 8.300 para 40 pés — uma volatilidade considerável mesmo dentro do mesmo ano.
O indicador de referência do setor, o Shanghai Containerized Freight Index (SCFI), marcava 1.954,21 pontos em 12 de maio de 2026 — alta de 3,36% no mês e de 45,28% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ou seja: não se trata de um pico isolado, mas de uma tendência que já vem se consolidando ao longo dos últimos 12 meses.
O que está puxando o frete para cima
- BAF (Bunker Adjustment Factor): a sobretaxa de combustível sobe automaticamente com o preço do petróleo e é repassada diretamente ao valor do frete — um componente que o importador não controla e que pode mudar de uma cotação para outra em poucas semanas.
- Demanda por espaço em contêiner: volumes de comércio maiores entre Ásia e Brasil pressionam a oferta de espaço disponível nos navios, especialmente em períodos de pico de exportação chinesa.
- Prazos de trânsito mais longos: rotas diretas para Santos levam de 28 a 39 dias; com transbordo para outros portos (Pecém, Suape, Salvador, Vitória, Vila do Conde), o prazo sobe para 40 a 60 dias — o que também encarece a operação indiretamente, via capital de giro parado por mais tempo.
Como isso se propaga para o Landed Cost
O frete internacional não afeta apenas ele mesmo — ele é base de cálculo de outros componentes do custo total de importação. O AFRMM (Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante), por exemplo, incide como percentual sobre o valor do frete marítimo internacional. Ou seja: quando o frete sobe 97% em um mês, o AFRMM sobe proporcionalmente junto — e o efeito em cascata não para aí, porque o valor aduaneiro (base de cálculo de II, IPI, PIS/COFINS e ICMS) também é influenciado pelo frete internacional na formação do CIF.
| Componente impactado pela alta do frete | Como o efeito se propaga |
|---|---|
| AFRMM | Percentual direto sobre o valor do frete marítimo |
| Valor aduaneiro (base CIF) | Frete compõe o CIF, que é base de cálculo de II, IPI, PIS/COFINS e ICMS |
| Capital de giro | Trânsito mais longo (até 60 dias com transbordo) prende capital por mais tempo |
| Margem final do produto | Se o Landed Cost não for recalculado, a margem projetada não se confirma |
O erro mais caro nesse cenário
O erro mais comum — e mais caro — é fechar o pedido com o fornecedor usando uma estimativa de frete desatualizada. Em um cenário de alta de quase 100% em um único mês, uma cotação de frete com 60 ou 90 dias de defasagem pode subestimar o custo real da operação de forma significativa, comprometendo a margem projetada antes mesmo da carga embarcar.
Como o Método Garbari trata a volatilidade do frete
No Tratamento Logístico do Método Garbari, a cotação de frete é sempre atualizada junto ao agente de carga no momento da estimativa — nunca com base em valores históricos ou “de tabela”. Isso é ainda mais crítico em cenários como o atual, de alta volatilidade: uma estimativa de importação só é confiável quando reflete o custo real de embarque no momento em que o pedido será fechado, não uma média de meses anteriores.
Perguntas frequentes sobre a alta do frete marítimo
Por que o frete marítimo subiu tanto em 2026?
A combinação de sobretaxa de combustível (BAF) mais alta, maior demanda por espaço em contêiner e volatilidade do índice SCFI levou a altas mensais de até 97% em determinadas rotas China-Brasil ao longo de 2026.
A alta do frete afeta só o custo do frete em si?
Não. O frete é base de cálculo do AFRMM e compõe o valor CIF, que por sua vez é base de cálculo de II, IPI, PIS/COFINS e ICMS. Uma alta no frete se propaga por praticamente todos os componentes tributários do Landed Cost.
Como evitar surpresa de custo por causa do frete?
Cotando o frete próximo do momento real de embarque, e não usando estimativas antigas. Em cenários de alta volatilidade, recalcular o Landed Cost com dados atualizados antes de fechar o pedido é o que evita o maior risco de prejuízo.
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Fontes: In Time Logística — “Frete Marítimo China-Brasil 2026: custos, rotas e como proteger sua operação”; Mundo Logística — “Frete marítimo deve ter novo aumento de 10%”; Portos e Navios — “Aumento no frete marítimo: rota China-Brasil preocupa importador brasileiro”.